Sistema de recrutamento de trabalhadores migrantes




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INTERAÇÕES SOCIAIS EM ALOJAMENTOS DE TRABALHADORES MIGRANTES

(o caso dos ‘corumbas’ na plantation canavieira de Pernambuco)


Marilda Aparecida de Menezes


XXII ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS

Caxambu, 27 a 30 de outubro de 1998


GT "Processos e movimentos sociais no campo" (98GT1433)




INTERAÇÕES SOCIAIS EM ALOJAMENTOS DE TRABALHADORES MIGRANTES

(o caso dos ‘corumbas’ na plantation canavieira de Pernambuco)


Marilda Aparecida de Menezes


Sistema de recrutamento de trabalhadores migrantes


A migração de camponeses do Agreste da Paraiba para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar na Zona da Mata do Estado de Pernambuco remonta pelo menos aos princípios do século XX (Andrade, 1980: 111-2; Ringuelet, 1977:19; Suarez, 1977: 35). No entanto, desde princípios da década de 80 tem ocorrido uma intensificação da contratação de trabalhadores migrantes localmente chamados ‘corumbas’. Vários autores tem afirmado que este processo é o resultado da racionalização e controle político da força-de-trabalho na plantation canavieira (Novaes, 1993; Andrade, S., 1994; Moreira, 1995).

A contratação dos trabalhadores migrantes é implementada através de um recrutamento estruturado no qual a pessoa chave é um intermediário chamado ‘arregimentador’, que desempenha uma função similar ao empreiteiro que foi amplamente utilizado pelos usineiros durante as décadas de 60 e 70. A diferença principal entre o arregimentador e o empreiteiro é em relação ao contrato de trabalho. O empreiteiro é um intermediário que contrata trabalhadores sem um contrato formal de trabalho com o objetivo de realizar determinadas tarefas definidas pela usina (Schaffner, 1993: 707. O arregimentador também é um intermediário, mas apenas recruta trabalhadores que serão formalmente contratados pela usina. Em geral ele é selecionado entre os migrantes que já trabalharam na usina e recrutará trabalhadores do seu município e áreas circunvizinhas. Um mês antes do começo da safra se começa o trabalho de coleta de carteiras profissionais a serem levadas à usina. Cada arregimentador tem uma cota de no mínimo 50 trabalhadores a contratar, em geral, as turmas em geral são formadas de parentes, vizinhos e amigos. Estes laços sociais constituirão as bases da organização social nos alojamentos de trabalhadores migrantes instalados na propriedade das usinas.

A posição social do arregimentador é similar ao mukadame descrito por Breman (1985) para o caso dos trabalhadores migrantes na plantation canavieira na Região Sul de Gujarat na Índia. Como os mukadames, os arregimentadores são profissionais do recrutamento e a maioria trabalha com seu grupo, ganhando salários similares, mas tem um tratamento preferencial, como por exemplo receber chá e cigarros (Breman, 1985). Na região estudada, o arregimentador também pode executar as mesmas tarefas do seu grupo e ganhar uma porcentagem de 3% ou 4% de comissão sobre os salários de seu grupo. O recrutamento mediado por um arregimentador que pertence à localidade dos trabalhadores migrantes gera uma rede de conexões entre áreas de envio de trabalhadores da Região Agreste do Estado da Paraíba e as usinas contratantes do Estado de Pernambuco.

Para analisarmos a mobilidade no trabalho utilizamos como fonte de dados as carteiras profissionais de 99 trabalhadores, nas quais coletamos data de entrada e saída na empresa, função, nome da usina ou da empresa urbana. Além disto fizemos uma estudo de caso com 20 trabalhadores, registrado as etapas migratórias e a mobilidade no trabalho ao longo de suas vidas. Estes dados revelaram que os trabalhadores realizaram múltiplas trajetórias migratórias, tanto para a área canavieira quanto para cidades da Região Sudeste do Brasil. Apesar da intensa mobilidade do trabalho, os dados revelaram que há uma tendência para fixação numa usina principal. Entre 99 trabalhadores do município de Fagundes, que estavam sendo recrutados para a Usina São José, no município de Igarassu, Pernambuco para as safra 1995/6, se registravam um total de 412 empregos, sendo que 58.9% destes foram na mesma usina; 26,7% foram em outras usinas e 14,6% foram em empregos urbanos 1. Assim, o recrutamento coordenado pelo arregimentador caracteriza um padrão de mobilidade onde se combina uma ‘semi-fixação’ em uma usina principal e a mobilidade entre outras usinas. A permanência na mesma usina por várias safras possibilita a criação de redes sociais assentadas em parentesco e relações de amizade no espaço social do alojamento.


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